Mente aberta é mente livre.

Você deve ter visto o título e pensado: Ah, tá! Já sei. Ela vai dizer que temos que aprender a ouvir mais, que temos uma boca e dois ouvidos, justamente para ouvir mais e blá, blá, blá, blá…

Tudo bem! O título realmente parece que é isso mesmo! Parece porque no final das contas, a atitude básica que temos que ter é essa mesma. Mas o que talvez você não tenha percebido é o que podemos ganhar com essa atitude.

O mais óbvio aqui é que ganhamos um incremento enorme na qualidade dos nossos relacionamentos. Claro! Porque se prestamos atenção ao que o outro está falando, estamos desenvolvendo o que chamamos de escuta ativa. Estamos atentos às palavras e à fisiologia da outra pessoa. Estabelecemos uma conexão – rapport. Geramos empatia. Ampliamos a nossa compreensão do que está sendo dito.  Passamos a conhecer mais o nosso interlocutor, o que ele pensa, o que ele sente. A lista pode ser longa, ein?

Mas, não para aqui. A nossa opinião é formada por conceitos, referências, experiências que vivemos ou que outros viveram. Formada por paradigmas e convicções que temos sobre a vida. Qual o problema nisso? Nenhum. O problema começa quando deixamos de ouvir o outro porque achamos que nada será diferente, irá contra a nossa opinião e se não há a intenção de mudar, prá que ouvir…quando pensamos que já temos uma opinião formada.

Por vezes também não nos interessamos em nos aperfeiçoar nesse ponto ou nem percebemos que não estamos realmente ouvindo, e nesse caso nem nos damos a oportunidade de desenvolvermos nossa capacidade de ouvir. Em qualquer uma das situações, estamos perdendo a possibilidade de construir novas referências, ou complementarmos as que já temos, perdemos a chance de quebrar paradigmas, de ampliar o nosso entendimento sobre um tópico qualquer e de desafiarmos as nossas próprias convicções sobre qualquer assunto.

Porque a verdade é que sempre temos uma opinião formada, e muitas vezes isso nos atrapalha, fazendo com que não nos interessemos pelo que o outro tem a nos dizer, pois achamos que a informação que temos nos basta. E estamos tão certos sobre nossa opinião e acreditamos tanto que ela é a melhor, que precisamos desesperadamente falar o que pensamos, queremos contar aos outros as nossas conclusões e isso só reforça o comportamento de não ouvir. Chega ao ponto de nem prestamos atenção ao que estamos ouvindo, esperando ansiosamente o momento que a outra pessoa vai parar de falar para que nós possamos falar. Você já não viveu um momento assim? Pelo menos um?

Aprender a ouvir é uma habilidade que pode ser adquirida. E como toda habilidade, precisa ser treinada. Adquirir uma habilidade começa pela consciência da falta dela. Continua pelo conhecimento teórico do que deve ser feito, e vai para a prática. Treino, treino, treino e repetição, repetição, repetição. Conhecimento-prática-repetição. No começo vai parecer estranho, a vontade de falar é grande e a dispersão é alta. Aos poucos isso diminui e começamos a nos ver mais atentos. Até que a habilidade se instaure e torne-se um hábito. E aí começamos a refinar esta habilidade, percebendo como podemos melhorar a comunicação e a escuta. Veja dicas interessantes:

– Dê feedback ao seu interlocutor de que você o está ouvindo e atento, com afirmações curtas como: Sim. Entendo. Compreendo;

– Confirme o que ele disse, repetindo o que foi dito de acordo com a sua interpretação. Isso se chama parafrasear;

– Gere empatia, através da sua fisiologia, expressão facial e corporal e também se colocando no lugar da outra pessoa;

– Resuma o que foi dito, para mostrar que você entendeu o que foi dito;

 – Mantenha-se focado, procure não dispersar.

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