Um dia eu li em uma revista a experiência de uma repórter que escolheu 10 peças de roupas e decidiu passar 7 dias apenas com aquelas peças. Achei uma experiência muito interessante de se passar e decidi que um dia faria isso.

E foi o que fiz. Essa semana que passou foi assim: 10 peças, várias combinações e o aprendizado de que precisamos de muito pouco.

Roupas em um primeiro momento suprem uma necessidade básica, de segurança, com elas nos sentimos emocionalmente mais protegidos. Mas, elas se tornaram um recurso para suprir uma necessidade social, de status, ou seja, está intimamente ligada ao nosso ego. Queremos nos vestir bem, ter variedade, estar na moda, porque queremos reconhecimento, sermos bem aceitos. Ou seja, queremos alimentar o nosso ego.

Aqui cabe um parênteses. No Yôga o ego é muitas vezes visto como um inimigo. Precisamos sempre nos policiarmos para lapidá-lo, aparar as arestas, para que ele não se infle demais e isso comprometa a nossa lucidez, a clareza de percepção e acabe conduzindo a comportamentos indesejáveis. Mas, o ego bem cultivado pode ser nosso amigo. Pois ele conduz a uma autoestima elevada, ele nos dá motivação e trabalha a nosso favor para que estejamos sempre prontos, dispostos e com coragem. E o que é muito importante, nos impele a ação. Por isso, quando digo que é preciso cuidado com o excesso de ego, é preciso considerar estes pontos colocados.

Mas, voltando ao ponto, se excluirmos essa questão do ego, e nos educarmos a dar menos peso a ele e mais às nossas necessidades verdadeiras caminhamos para uma vida mais simples, mais sensível e menos complicada. Mais consciente.

Essa experiência vale para perceber exatamente isso: qual a nossa necessidade mais básica em se tratando de roupas. Ela foi feita com roupas, mas poderíamos fazer com qualquer outra coisa: alimentação, locomoção, etc. A ideia era perceber os impactos desta experiência em mim mesmo, no meu emocional principalmente. É claro que quanto mais importância damos a algo, mais falta esse algo nos fará. Por isso, nessa experiência é preciso olhar sob a ótica da necessidade pura, básica. Como temos acesso muito fácil a muitas coisas hoje em dia, sinto que é fácil nos confundirmos com aquilo que realmente precisamos, e também superestimar o valor de cada posse (no sentido mais básico, ou seja, qualquer coisa que seja nossa).

É uma reflexão sobre o verbo precisar. Na sua forma mais crua.

É claro que não vamos ser rígidos. Não é porque passei uma semana com 10 peças, que só preciso ter 40 peças. Mas, talvez não precise de 4 calças jeans. Sejamos razoáveis e não repressores.

É uma experiência de simplificação e com certeza vale a pena experimentar e colocar em prática. É mais uma tentativa em ampliar a nossa vivência, a nossa percepção daquilo que realmente nos importa. E com isso, retomando o que falei nos posts anteriores, economizar energia para o que importa. No mínimo, durante esta semana, não perdi tempo pensando em que roupa deveria colocar…