Desfaça-se de suas tralhas. Simplifique sua vida material.

Vou contar uma história: o meu avô tinha o hábito de coletar tudo o que ele encontrasse na rua que achava que poderia ter alguma utilidade: moedas, porcas, parafusos, etc e guardava tudo. Ele sempre dizia que um dia poderia precisar daquilo. Isso me lembra um provérbio: “Quem guarda tem, quem não guarda, pedir vem.” Já ouviu essa? Muitas vezes ele usava o que tinha pego, mas aposto que muitas mais ele não usou prá nada.

Pois é, essa é apenas uma pequena história, mas eu sinceramente acredito que a grande maioria de nós tem a tendência de acumular coisas. Temos mais roupas do que usamos, mais utensílios na cozinha do que necessitamos, mais objetos, mais móveis, mais papéis, mais livros do que conseguimos ler…

Para guardar tudo isso precisamos de mais espaço. Precisamos dedicar mais tempo para arrumar periodicamente, ou até para manter constantemente em ordem. No final, estamos direcionando não apenas tempo, mas também energia para manter todas as nossas tralhas em ordem. A menos que você seja daquelas pessoas que não se importam em ter suas coisas em uma organização mínima.

Eu não era e não sou assim. Quando estava procurando os “ralos” por onde minha energia estava escapando, percebi que um deles era em manter minha casa em ordem. Veja, tenho dois filhos ainda crianças, é difícil por isso manter a casa em ordem. Mas, pensei que deveria haver algo que eu pudesse fazer, além de todas as orientações a respeito de brinquedos e roupas pela casa, que eles precisavam guardar. Então descobri que parte do meu desgaste vinha em manter as coisas no lugar, enfeites cada um em seu canto, móveis nos lugares e limpos, gavetas organizadas, etc. Se eu não estava conseguindo manter tudo isso em ordem, e a desordem estava me incomodando (muito!), então uma solução me pareceu muito óbvia: eliminar as razões da desordem! E foi o que fiz: doei utensílios, livros, dvds; limpei gavetas e reduzi a quantidade de papéis, arquivando o essencial, me desfazendo ou digitalizando o que não usava frequentemente; vendi ou doei móveis, entre outras coisas, assim, eu não precisava me preocupar em mantê-los limpos e em ordem. Ou seja, foi um processo para simplificar a minha vida material.

É claro que o tempo todo eu pensava: mas e se eu precisar um dia? Isso aconteceu com um jogo de jantar, então decidi que se eu não o utilizasse mais de 4 vezes no ano, eu me desfaria dele e se algum dia eu precisasse, a solução era simples – alugar. E está fazendo 1 ano agora, e garante que não usei nem a metade das vezes. E após este ano, já preciso novamente fazer tudo de novo, pois como disse, temos uma tendência a acumular…

Sentimentos como esse vão surgir. E outros como arrependimento, ciúme, todos relacionados à posse. A possuir. Resista a eles. E simplifique a sua vida. Ninguém lida bem o tempo todo com a perda, e simplificarmos materialmente nossa vida está relacionado a nos desfazermos de muitas coisas, e por isso, sentimentos assim podem surgir. Você é o que você é e não o que você tem. E lembre-se, tudo isso vai ajudar muito a diminuir a tensão e energia que direcionamos para gerenciar nossos bens materiais, seja de qualquer valor ou tamanho.

Vá devagar. Escolha um cômodo de sua casa por vez, a cada final de semana ou a cada 15 dias, e nesse dia, promova aquela triagem super necessária, com a intenção verdadeira de diminuir, de ter menos. De ser mais. Talvez seja difícil, mas eu garanto que com o tempo torna-se mais fácil e você começará a valorizar o “ser” cada vez mais. Começará a trocar “o ter”, pelo “viver”, pela experiência. Eu diria que a colocar a importância no lugar certo. E de quebra, menos desgaste energético. Mais energia para direcionar para aquilo que realmente importa para você.