Esse é um dos obstáculos mais comuns que nos impedem de fazer o que queremos.

Todos nós sentimos medo. Medo é um sentimento primitivo que está relacionado ao nosso instinto de preservação, de sobrevivência. Sempre que nos sentimos ameaçados uma região específica do cérebro, o córtex pré-frontal é acionado e nos conduz a respostas como fuga ou combate.

Hoje não estamos mais o tempo todo sob ameaça, mas a questão é que mesmo os medos mais simples a princípio parecem não ter relação com a sobrevivência, mas se seguirmos uma linha de raciocínio chegaremos fatalmente numa questão básica de preservação. Por isso, esse sentimento é tão forte e quando presente tem uma carga muito intensa, capaz de nosdescontrolar emocionalmente e atrapalhar muitos planos, nos impedindo de tomar decisões que racionalmente nos parecem claríssimas. O medo paralisa. E nos faz buscar justificativas racionais, lógicas para contornar uma decisão que temos medo de tomar, para justificar para nós mesmos e para os outros aquilo que por medo não fazemos.

“Deixe o medo se expressar e
começe a contrapor com situações
emocionalmente positivas.”

Segundo o dicionário, uma das definições de medo é: “Estado emocional resultante da consciência de perigo ou de ameaça, reais, hipotéticos ou imaginários”. E é justamente por isso, por ele ter uma origem emocional, que muitas vezes argumentos racionais não funcionam. Não adianta muito falarmos para uma pessoa que tem medo de andar de avião, que quase não há perigo nisso, que estatisticamente há muito menos acidentes automotivos do que aéreos etc. Não há argumento racional que irá aplacar totalmente o emocional. O que me ajudou em muitos casos foi deixar o sentimento se expressar e começar aos poucos a contrapor com situações emocionalmente positivas ligada à situação origem do medo, para gerar coragem.

É por isso que conhecer o seu medo pode te ajudar muito em superá-lo. Porque só conhecendo-o profundamente você será capaz de saber onde você está pisando e como gerar a força para superá-lo. Além disso, quando conhecemos os nossos medos, temos condições de saber que atitudes e qual caminho tomar para nos afastar da situação que temos medo.

E então? Trazendo agora para a ótica de desenvolvimento pessoal e autoconhecimento, qual é o medo ou medos que te impedem de fazer a mudança ou as mudanças que quer em você e na sua vida? Medo de falhar. Medo de errar. Medo de não dar certo. Medo do desconhecido que a mudança pode trazer. Medo da opinião alheia. Medo de perder dinheiro. Qual é o seu medo?

Para ajudar, pode ser interessante seguir esses passos:

  • Identifique o(s) seu(s) medo(s).

  • Avalie as consequências. Pensando no medo que hoje te impede de fazer o que quer, qual seria o pior cenário possível? Qual seria o pior resultado que você consegue imaginar?

  • Agora, pense o que você precisaria fazer para se recuperar dessa situação? E quanto tempo isso demoraria?

  • O que exatamente você precisaria fazer para se recuperar? Liste as ações.

  • E então, reflita: “o que é pior para mim? Continuar na situação em que estou, sem realizar as mudanças que quero e permanecer com o desejo de realizá-las e a frustração por não fazê-lo ou tentar e no caso de me deparar com o cenário mais pessimista, ter que me recuperar?”.

Ao fazermos essa análise podemos chegar à conclusão de que estamos potencializando muitos dos medos que sentimos. Ou ainda, percebermos que ainda que o medo se torne uma situação real, vale a pena arriscar. E isso, por si só, já nos fornece uma boa dose de coragem para superar o medo.